Brasileiro não gosta de literatura nacional de ficção

O leitor brasileiro prefere autores estrangeiros quando se trata de ficção. É o que se deduz do ranking de livros mais vendidos, publicado regularmente pelo Publishnews — site especializado no mercado editorial — a partir de pesquisa em  livrarias e sites de vendas.

No ano passado, apenas quatro títulos de autores nacionais apareceram na lista de 20 obras de ficção mais vendidas: Essa Gente (20.857), de Chico Buarque, Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente (14.736), de Igor Pires da Silva e Gabriela Barreira, Prisioneiros da Mente (9.756), de Augusto Cury, e O Fim em Doses Homeopáticas (8/175), também de Igor Pires.

Na lista deste ano, entre 20, até agora somente um é brasileiro, Torto Arado (18.187 exemplares vendidos desde 1º de janeiro). Na categoria ficção, o livro de Itamar Vieira Jr. só fica a atrás de O Duque e Eu (18.303), da americana Julia Quinn, livro que deu origem à série Bridgerton (Netflix).

A autora, aliás, domina o ranking, ocupando a 11ª, 12ª e 15ª posições com títulos que são sequências de O Duque e Eu. respectivamente, Um Perfeito Cavalheiro (6.826), Os Segredos de Colin Bridgerton (5.478) e Para Sir Phillip, com Amor (3.616).

Interessante constatar essa preferência do brasileiro por autores estrangeiros poucos dias depois de O Estado de Minas publicar uma pesquisa com 20 pessoas – entre professores, produtores culturais e críticos — sobre o que de “mais interessante, marcante e significativo foi produzido na literatura brasileira na última década”.

Cada uma delas listou 10 títulos — Torto Arado aparece em 11 dessas listas — e argumento brevemente a favor de suas escolhas. Mas parece que essa literatura brasileira de qualidade ainda interessa a um público restrito.

O material produzido pelo diário mineiro mostra que não falta produção, e produção interessante, mas a cabeça do leitor brasileiro está voltada em outra direção. Um desinteresse que torna o sucesso de Torto Arado uma exceção que confirma a regra.

É uma questão sobre a qual se pensar. São muitas interrogações: por que nomes de autores estrangeiros na capa atraem mais do que os de compatriotas? Quantas histórias tão apaixonantes quanto a de Torto Arado já não foram contadas em livros de autores brasileiros ignorados pelo público?

Mas há uma mais fácil de cada um de nós, leitores que dizemos defender a literatura e o autor nacionais, responder a si mesmo: quantos livros escritos por um de nossos compatriotas você leu, por exemplo, nos últimos dois anos?

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