‘Uncoupled’ é como se fosse ‘Queer as Folk’ 20 anos depois

É difícil assistir Uncoupled, a série que estreou recentemente na Netflix, e não lembrar de Queer as Folk, aquela outra série que, na virada do século 20 para o 21, fez história ao levar para a tevê situações típicas do cotidiano gay das grandes cidades, de forma franca, sem pudor ao tratar do sexo, fosse nos diálogos ou nas cenas na cama.

Guardadas as devidas proporções, Uncoupled parece um Queer as Folk 20 anos depois. É como se os personagens da antiga produção do canal Showtime reaparecessem na maturidade, quarentões e lidando com novas formas de relacionamento afetivo e sexual.

livros boníssimo

Queer as Folk mostrava um grupo de jovens amigos homossexuais da cidade de Pittsburgh, Pennsylvania, em busca de amor, diversão e algum sentido para a vida no início do século. Uncoupled mostra um grupo de amigos homossexuais maduros na cidade de Nova York, em busca de amor, diversão e algum sentido para a vida nesta década de 2020.

O Michael de Neil Patrick Harris em Uncoupled poderia ser muito bem o Michael interpretado por Hal Sparks – para citar o mais romântico dos personagens da série dos anos 2000 -, que depois de 17 anos casado se vê solteiro de novo e tem que se adaptar à era dos aplicativos de paquera.

Mas não há, oficialmente, nenhuma ligação entre uma e outra produção. Queer as Folk foi criada por Russell T Davies para a tevê britânica, mas o que fez sucesso aqui, traduzido para Os Assumidos, foi a adaptação americana, feita por Ron Cowen e Daniel Lipman – que, aliás, acaba de ganhar  um remake, em exibição no StarzPlay desde 31 de julho.

Queer as folks
O Michael de Uncoupled poderia ser o Michael de Queer as Folk aos 40 e poucos | Foto: Reprodução

Coincidências à parte, Ron Cowen e Daniel Lipman criaram uma história tão atraente quanto à que vimos há 20 anos. A despretensão é a grande qualidade da produção, que usa leveza e humor para retratar os relacionamentos em nosso tempo, dando um tom hilário a situações com as quais não somente o público LGBTQIA+ vai encontrar identificação.

Neil Patrick Harris está bem à vontade no papel do Michael inconformado por ter sido descartado pelo namorado/marido sem explicação e perplexo com o novo mundo que encontra “lá fora”. E está cercado por tipos que contribuem cada um a sua maneira — como o vizinho negro, gay e idoso e a cliente madame recém-separada e igualmente inconformada — para que os oito episódios da primeira temporada sejam facilmente maratonados, deixando expectativa para uma segunda temporada.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s